SOU IMIGRANTE. E AGORA?
- Andreia Mello

- 31 de jan. de 2025
- 3 min de leitura

A imigração é um fenômeno histórico que faz parte da experiência humana desde o início da humanidade. Diversas pessoas saem diariamente de seus países de origem ou de onde têm residência fixa para morar em outro. As causas da imigração podem ser para estudar, para buscar melhores condições de vida, mais oportunidades de trabalho, para aprender uma nova cultura e idioma, por razões políticas, guerras, crises econômicas, sanitárias ou humanitárias.
A vida do imigrante é marcada por despedidas, separações e recomeços. Deixar para trás o lar, a família, os amigos, o emprego, os costumes e tradições é sempre uma situação geradora de algum nível de estresse.
Mudar-se para um país diferente geralmente vem acompanhado de vários desafios emocionais. À medida que os imigrantes passam pela montanha-russa do choque cultural e da adaptação a um ambiente novo, muitos, frequentemente, experimentam um sentimento complexo de deslocamento e perda de identidade.
A separação geográfica e até mesmo a necessidade de adaptar-se ao novo clima, à uma culinária diferente ou a um idioma desconhecido podem trazer uma sensação de desculturação e luto devido às múltiplas perdas vivenciadas.
O luto imposto pelo afastamento da família e dos entes queridos, a mudança do status social ou medo da rejeição podem causar dor e sofrimento.
Associada a todas essas privações, encontra-se a perda de contato com o grupo de pertencimento - aqueles com quem podemos falar nos mesmos códigos, que entenderão as nossas gírias e a forma de ver a vida. Diante de tudo isso, o imigrante pode se sentir deslocado e nutrir uma desconexão com o novo ambiente, precisando redefinir quem é nesse outro contexto cultural.

A dificuldade para encontrar um equilíbrio entre a cultura de origem e a cultura de acolhimento pode ser dolorosa e permanecer até que o individuo se sinta integrado ao novo grupo social. Algumas vezes, essa sensação de deslocamento pode acompanhar o imigrante mesmo após superadas as dificuldades iniciais. O imigrante pode ainda desenvolver a Síndrome do Imigrante com Estresse Crônico e Múltiplo ou simplesmente, “Síndrome de Ulisses”, numa alusão ao personagem da Mitologia Grega e Romana.
Ulisses é um jovem que deixa o reino, o lar, a esposa e o filho recém-nascido e segue em busca do seu destino. Entre a partida e o retorno do herói à casa, ocorre a abdicação de sua personalidade infantil e o desenvolvimento da própria maturidade, porém perpassado por muitas aventuras. Após participar da Guerra de Tróia durante 10 anos, nosso herói atravessa uma penosa jornada de retorno por mais 10 anos. Nessa longa viagem, Ulisses precisou adaptar-se, com astúcia, bom senso e, sobretudo, perseverança, a um mundo cada vez mais complexo e em contínua mutação. Como na mitologia, a partida rumo ao desconhecido e a necessidade de adaptação está presente na condição vivida pelo imigrante que deverá instalar outras raízes sociais e culturais em um novo lugar.
Muitos desses sentimentos podem parecer contraditórios, pois as pessoas possivelmente estão em melhores condições de vida em seu novo país. Elas podem fazer novos amigos e adquirir uma situação econômica melhor, e ainda assim experimentarem emoções como tristeza, raiva, cansaço, solidão e isolamento. Junte-se a isso o desafio de manter as relações apesar da distância.
A imigração geralmente é carregada de expectativas em relação ao local de destino, mas pode também ser fonte de frustração. Os desafios de arrumar um emprego, conseguir se comunicar no idioma local ou ser reconhecido profissionalmente torna a adaptação mais dolorosa, afetando a autoestima e a autoconfiança do imigrante. Nesse caso, se instala outro tipo de luto, o luto da visão idealizada, do sonho. Muitos acabam optando inclusive por voltar ao país de origem.
NEM TUDO ESTÁ PERDIDO. ESSES SENTIMENTOS TÊM CURA.
Se você está passando por esse processo e sente que precisa de apoio, não hesite em buscar ajuda. Faça contato pelo formulário no final da página principal do Psicologia Mundo Afora. A terapia pode ser uma ferramenta poderosa para ajudá-lo a entender e administrar esses sentimentos muitas vezes ambíguos. Dê esse passo em direção ao autoconhecimento e ao bem-estar emocional.



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